Meu amigo, se tem uma coisa que eu repito exaustivamente é que campanha não se ganha no grito, se ganha no método. E quando falamos de preparação, um dos passos mais ignorados — e mais vitais — é saber exatamente onde você está pisando. É aqui que entra a Análise SWOT na pré-campanha.

Vejo muitos pré-candidatos ansiosos para colocar o bloco na rua, produzir vídeos e pedir votos (o que, inclusive, é proibido nessa fase). Mas poucos param para fazer o dever de casa: o diagnóstico. Sem entender suas reais condições de disputa, você está apenas torcendo para dar certo, e torcida não elege ninguém. Vamos conversar sobre como estruturar essa análise de forma prática e sem complicação.

O que é a Análise SWOT e por que ela é obrigatória?

O termo pode parecer coisa de administrador de empresa, mas no marketing político a gente usa muito. SWOT é uma sigla em inglês, mas para facilitar nossa vida, chamamos de FOFA: Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças.

Fazer uma Análise SWOT na pré-campanha serve para tirar o candidato e a equipe do “mundo da fantasia”. É um raio-X honesto da situação. Ela divide o cenário em dois ambientes: o interno (aquilo que você controla) e o externo (aquilo que o mercado e os adversários impõem). Sem isso, qualquer estratégia de comunicação vira um tiro no escuro.

Ambiente Interno: Forças e Fraquezas

Aqui nós olhamos para dentro de casa. São fatores que você tem controle e pode alterar ou melhorar.

Identificando suas Forças

O que você tem que o diferencia dos outros? E não vale dizer “sou honesto”, porque isso é obrigação. Estamos falando de vantagens competitivas reais. Exemplos práticos:

Encarando suas Fraquezas

Aqui é onde a maioria falha por vaidade. Você precisa ser brutalmente sincero. O que falta na sua pré-campanha? Onde o calo aperta? Se você não listar suas fraquezas, seu adversário vai fazer isso por você durante o debate.

Ambiente Externo: Oportunidades e Ameaças

Agora olhamos para fora. Aqui você não manda, você monitora e reage. É o cenário político, a economia, o humor do eleitor.

Mapeando Oportunidades

Onde estão as brechas que os outros deixaram? Uma Análise SWOT na pré-campanha bem feita identifica vácuos de poder. Por exemplo:

Se o atual gestor é mal avaliado na saúde e você é médico, isso é uma oportunidade de ouro. Se o eleitorado está cansado de brigas ideológicas e busca um gestor técnico, e esse é o seu perfil, aí está sua avenida de crescimento.

Prevendo Ameaças

O que pode dar errado que não depende de você? Pode ser uma mudança na legislação eleitoral que reduza o tempo de TV, a entrada de um novo candidato com muito dinheiro na disputa, ou até mesmo uma onda de fake news coordenada.

Cruzando dados para criar estratégia

Não adianta preencher a tabela e guardar na gaveta. O pulo do gato está no cruzamento dessas informações. A estratégia nasce quando você usa uma Força para aproveitar uma Oportunidade, ou quando trabalha uma Força para blindar uma Ameaça.

Vou dar um exemplo simples: se sua fraqueza é ser pouco conhecido (baixo recall), mas a oportunidade é que a cidade quer renovação, sua estratégia de pré-campanha deve focar 100% em apresentação de biografia e aumento de conhecimento, e não em propostas complexas agora.

Fazer política exige profissionalismo. O tempo do “vamos ver no que dá” acabou. Se você quer entrar na disputa para ganhar, precisa dominar essas ferramentas de planejamento.

Quer aprofundar seu conhecimento e montar um planejamento de campanha que realmente funciona? Recomendo fortemente que você conheça o curso Imersão Eleições. Lá nós dissecamos cada etapa desse processo.

Um abraço e bom trabalho!

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