Lidar com a desinformação se tornou, sem dúvida, um dos maiores desafios para quem trabalha com marketing político nos dias de hoje. Antigamente, uma mentira demorava dias para circular uma cidade; hoje, ela alcança milhares de pessoas em questão de minutos. Para saber como combater fake news de forma eficiente durante as campanhas eleitorais, é preciso muito mais do que apenas reagir com raiva ou indignação. É necessário ter técnica, frieza e, acima de tudo, uma estratégia sólida de gestão de crise e monitoramento de redes.
O cenário mudou e a forma de fazer campanha também. Muitos candidatos e profissionais de comunicação política ainda acreditam que uma nota oficial ou um processo jurídico resolvem o problema. Sinto informar, mas na maioria das vezes, isso é enxugar gelo. A dinâmica das redes sociais exige velocidade e uma narrativa que seja mais forte do que o boato espalhado. Se você deixar um vácuo de informação, o seu adversário vai preenchê-lo.
A vacina é melhor que o remédio no combate às fake news
Uma das premissas que sempre defendo é a da antecipação. Em uma campanha, o tempo é o recurso mais escasso. Se você esperar o ataque acontecer para pensar no que dizer, já perdeu. Todo candidato tem telhado de vidro ou pontos sensíveis que podem ser explorados pelos adversários. O segredo para combater fake news começa muito antes do período eleitoral, na fase de pré-campanha.
Você precisa mapear todas as possíveis vulnerabilidades. Seu candidato responde a algum processo? Tem algum vídeo antigo polêmico? Alguma votação impopular? Mapeie tudo. Com isso em mãos, produza conteúdo explicativo, didático e honesto sobre esses temas. Publique isso no site oficial, em vídeos no YouTube e em artigos de blog. O objetivo é indexar a sua versão da história no Google. Assim, quando o eleitor for impactado pelo boato e for pesquisar, ele encontrará a sua explicação, e não apenas a acusação.
Monitoramento ativo: olhos e ouvidos em todo lugar
Você não consegue se defender de um ataque que não viu chegar. Por isso, o monitoramento é a base da segurança na comunicação. E não estou falando apenas de ferramentas caras de social listening que monitoram Twitter e Facebook. A briga real acontece no submundo da internet, nos grupos de WhatsApp e Telegram.
Para proteger campanhas eleitorais, é fundamental ter pessoas reais — voluntários e militantes — infiltradas em grupos da cidade, de bairros e até de adversários. Quando um boato começa a circular, sua equipe precisa saber imediatamente. A “hora de ouro” para estancar uma crise é curtíssima. Se a mentira rodar livremente por 24 horas, ela vira verdade na cabeça das pessoas.
Esqueça a nota de repúdio: aposte na humanização
Vamos ser práticos: ninguém lê nota de repúdio, exceto jornalistas e advogados. O eleitor comum quer ver a cara do candidato. Se uma mentira grave está circulando, a resposta precisa ser em vídeo, olho no olho, com linguagem simples e direta. O candidato deve mostrar indignação na medida certa, mas principalmente, apresentar os fatos de forma tranquila.
Além disso, use a sua base de apoiadores. Uma mentira se combate com uma rede de verdade. Se você tem listas de transmissão organizadas no WhatsApp com seus apoiadores mais fiéis, envie o material de desmentido para eles. Peça ajuda. Diga: “Estão mentindo sobre nós, me ajude a espalhar a verdade”. O engajamento orgânico de pessoas reais tem muito mais credibilidade do que qualquer impulsionamento pago.
Checklist para proteção da sua campanha
Para garantir que você não será pego de surpresa, preparei um resumo do que é essencial ter estruturado:
- Mapeamento de riscos: Saiba onde podem te bater antes que batam.
- Produção de conteúdo preventivo: Deixe sua versão indexada no Google.
- Monitoramento de grupos: Tenha olhos dentro do WhatsApp da cidade.
- Canal de denúncias: Crie um número específico para que eleitores enviem prints de fake news.
- Equipe de resposta rápida: Defina quem aprova o quê, para não perder tempo com burocracia na hora da crise.
Combater a desinformação exige profissionalismo e preparo. Não dá para brincar de amador em um terreno tão hostil. Se você quer se aprofundar nessas táticas e entender como montar uma estrutura de guerra para a sua comunicação, recomendo fortemente que conheça o curso Imersão Eleições. Lá, nós dissecamos essas estratégias com casos práticos e mostramos o caminho das pedras.
Um abraço e boa sorte na batalha pela verdade!