Se tem uma coisa que eu repito exaustivamente em minhas aulas e consultorias é: eleição não se ganha nos 45 dias oficiais, se ganha na preparação. Muitos candidatos ainda acreditam que basta colocar o bloco na rua quando a lei permite, mas a verdade é que o sucesso de uma candidatura depende diretamente de como você executa o planejamento estratégico de pré-campanha.
Você precisa entender que o período eleitoral é curto demais para construir reputação do zero. É na pré-campanha que temos o tempo a nosso favor para testar discursos, organizar a casa, entender o sentimento do eleitorado e, principalmente, tornar o nome do pré-candidato conhecido e respeitado. Quem deixa para pensar na estratégia em cima da hora, geralmente acaba gastando mais dinheiro e tendo menos resultado.
Por que o planejamento estratégico de pré-campanha é vital?
Vamos ser sinceros: o eleitor não acorda pensando em política. Ele está preocupado com a conta de luz, com a escola do filho, com o buraco na rua. Para que ele preste atenção em você, é preciso construir uma narrativa consistente ao longo do tempo. O planejamento estratégico de pré-campanha serve justamente para isso: organizar como você vai se apresentar e conectar suas propostas às dores reais das pessoas.
Além disso, é o momento de blindagem. Se você não definir quem você é, seus adversários farão isso por você. E acredite, a versão deles não será nada agradável. Ter um plano sólido ajuda a antecipar crises e preparar a vacina antes que a doença chegue.
Passos essenciais para um planejamento eficiente
Não adianta sair atirando para todo lado. Um bom planejamento deve seguir uma lógica. Separei aqui os pilares que considero fundamentais na metodologia que aplicamos na Academia Vitorino e Mendonça.
1. Diagnóstico de cenário e pesquisa
O primeiro passo de qualquer planejamento estratégico de pré-campanha é saber onde estamos pisando. Você precisa fazer uma análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças). Pergunte-se:
- Qual é o sentimento da cidade em relação ao atual governo?
- Quais são os pontos fortes do meu pré-candidato que geram conexão imediata?
- Quais são os pontos fracos que podem ser explorados pelos adversários?
2. Definição da narrativa e reputação
Como o político quer ser reconhecido? Como o “gestor técnico”, o “fiscal do povo”, o “humanitário”? Essa definição precisa acontecer agora. O eleitor precisa olhar para o pré-candidato e entender, em poucos segundos, o que ele representa. Se a mensagem for confusa, o voto se perde.
3. Organização da equipe e estrutura
Você não precisa de um exército na pré-campanha, mas precisa das pessoas certas nos lugares certos. Defina quem cuidará das redes sociais, quem fará a agenda de rua, quem cuidará do jurídico e da contabilidade. Profissionalismo é a chave. Muitas vezes, o “sobrinho que mexe no Facebook” pode custar uma eleição inteira por um erro amador.
Cronograma e flexibilidade na pré-campanha
Ter um cronograma é essencial, mas ele não pode ser uma camisa de força. A política é dinâmica. O seu planejamento estratégico de pré-campanha deve prever as datas de oportunidade (aniversário da cidade, dias comemorativos, eventos locais), mas deve deixar espaço para o “factual”.
Se surge um problema grave na saúde do município hoje, sua programação de posts sobre “dia da árvore” deve cair para dar lugar a um posicionamento firme sobre o problema real. O equilíbrio entre a ordem do planejamento e o caos do dia a dia é o que diferencia os amadores dos profissionais.
Erros comuns para evitar agora
Para fechar, quero alertar sobre o erro mais comum: pedir voto antes da hora. Além de ser crime eleitoral (propaganda antecipada), é ineficiente. Ninguém casa no primeiro encontro. A pré-campanha é o namoro. É hora de conquistar, de mostrar valores, de ouvir as pessoas. Deixe o pedido de voto para os 45 dias finais, quando o eleitor já estiver convencido de que você é a melhor opção.
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