Um dos erros mais comuns que vejo em consultorias e aulas é o pré-candidato que quer começar a comunicação sem antes fazer um diagnóstico preciso do cenário. Muitos acreditam que a pré-campanha serve apenas para tirar fotos e postar nas redes sociais, ignorando que este é o momento crucial para o planejamento estratégico. Antes de pedir o primeiro voto ou desenhar o primeiro santinho, você precisa saber exatamente onde está pisando. É aqui que entra a análise SWOT na pré-campanha.
No marketing político, não existe espaço para achismos. Entrar em uma disputa eleitoral sem conhecer suas próprias limitações e as brechas do adversário é pedir para perder. A análise SWOT (ou FOFA, em português: Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) é a ferramenta que vai te dar a clareza necessária para definir se você deve atacar, se defender ou construir alianças. Neste artigo, vou te ensinar de forma prática como aplicar essa matriz para identificar suas forças e fraquezas e sair na frente na corrida eleitoral.
O que é a Análise SWOT e por que ela é vital na política
A sigla SWOT vem do inglês (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats), mas no bom e velho português gostamos de chamar de FOFA. Ela divide a sua análise em dois ambientes: o interno (o que você controla) e o externo (o que você não controla).
Na política, fazer essa análise é como olhar no espelho antes de sair de casa, mas um espelho que também mostra o que está acontecendo na rua. Ela serve para que você não gaste energia e recursos (que sabemos serem escassos) em ações que não trarão retorno, ou pior, que podem expor suas vulnerabilidades aos adversários.
Ambiente Interno: Identificando Forças e Fraquezas
Quando olhamos para dentro da pré-candidatura, estamos analisando o que temos controle. Aqui, a honestidade é fundamental. Não adianta mentir para si mesmo.
Forças (Pontos Fortes)
O que você tem de melhor? O que te diferencia? Pode ser um mandato atual bem avaliado, um histórico de serviços prestados à comunidade, uma boa oratória ou uma base de apoiadores fiel. Por exemplo, se você é um médico conhecido na cidade, sua força é a autoridade na saúde e o reconhecimento popular. É nisso que sua narrativa deve se apoiar.
Fraquezas (Pontos Fracos)
Aqui é onde o calo aperta. O que falta na sua pré-campanha? Pode ser falta de recursos financeiros, uma equipe desqualificada, desconhecimento por parte do eleitorado ou até mesmo um passado político controverso. Identificar a fraqueza agora permite que você crie “vacinas” ou estratégias para mitigar esses problemas antes que a oposição os utilize contra você.
Ambiente Externo: Mapeando Oportunidades e Ameaças
Agora vamos olhar para fora. O ambiente externo independe da sua vontade, mas impacta diretamente o seu resultado. É o cenário da eleição.
Oportunidades
Onde está o vácuo de poder? Existe uma insatisfação geral com a atual gestão? Há um grupo de eleitores que não se sente representado por ninguém? Por exemplo, se a cidade reclama da saúde e o atual prefeito ignora o tema, e você é aquele médico que citei antes, aí está uma oportunidade de ouro para pautar o debate.
Ameaças
Quem ou o que pode te derrubar? Pode ser um adversário com muito dinheiro, uma mudança na legislação eleitoral que prejudique seu partido, ou fake news. Mapear as ameaças não vai fazê-las sumir, mas permite que você prepare seu time de comunicação política para reagir rápido ou blindar sua imagem.
Cruzando os dados para criar estratégia
O pulo do gato não é apenas listar esses pontos, mas cruzá-los. A estratégia nasce quando você usa uma Força para aproveitar uma Oportunidade, ou quando usa uma Força para se defender de uma Ameaça.
- Força + Oportunidade: Se você tem boa oratória (força) e a cidade quer renovação (oportunidade), sua estratégia deve ser ocupar espaços de debate e redes sociais com vídeos opinativos.
- Fraqueza + Ameaça: Se você tem pouco dinheiro (fraqueza) e o adversário é rico (ameaça), sua estratégia não pode ser volume de material impresso. Você precisa apostar na criatividade, no digital e no contato corpo a corpo.
Conclusão: O planejamento é o mapa da vitória
Fazer uma análise SWOT na pré-campanha é o dever de casa que separa os amadores dos profissionais. Não subestime o poder de colocar tudo no papel e traçar rotas claras. Lembre-se: campanha curta não permite erros de rota. Quem sabe suas fraquezas, se protege. Quem conhece suas forças, ataca melhor.
Se você quer aprender a estruturar não só o diagnóstico, mas todo o planejamento da sua campanha, desde a construção da narrativa até a mobilização de rua e digital, eu recomendo fortemente que você conheça o curso Imersão Eleições. Lá, nós aprofundamos essas ferramentas com foco total em resultado nas urnas.