Pré-campanha, conteúdos obrigatórios, comunicação política, marketing político, redes sociais, posicionamento, narrativa, eleitorado, estratégia, calendário. Antes da campanha começar de fato, a maior dúvida de muitos pré-candidatos é: “o que eu devo publicar?”. Há quem poste de tudo, sem critério, e quem quase não apareça com medo de cometer erros. A pré-campanha é justamente o momento de organizar essa presença, construir reputação e preparar o terreno para a fase oficial da disputa.

Neste texto, vou apresentar 10 conteúdos obrigatórios para qualquer pré-candidato publicar, pensando em redes sociais, site e até materiais para listas de transmissão. A ideia não é engessar sua comunicação, mas oferecer um “mínimo indispensável” para que candidatos, equipes e agências saibam por onde começar, o que priorizar e como transformar presença em resultados políticos concretos.

1. Quem é você, afinal? O conteúdo de apresentação

Pode parecer básico, mas muita gente pula essa etapa. O pré-candidato começa falando de projeto, criticando problemas da cidade, mas as pessoas ainda não sabem quem ele é. O conteúdo de apresentação precisa responder, de forma simples: quem é você, de onde veio, o que faz e por que decidiu entrar na política.

Esse conteúdo pode ser um vídeo curto, um carrossel ou um texto fixado. O importante é ser fácil de encontrar e de entender. Pense nele como o “sobre” do seu perfil. Em campanhas bem organizadas, esse material vira também roteiro para panfletagem, reuniões e site.

2. O problema que você enxerga: diagnóstico do território

Antes de falar em solução, o pré-candidato precisa mostrar que entende a realidade das pessoas. Produza conteúdos que mostrem o diagnóstico da cidade, do bairro ou do segmento que você quer representar. Não é para dramatizar tudo, é para demonstrar conhecimento de causa.

Você pode usar dados oficiais, relatos de moradores, comparações com outras cidades. O tom é de quem estuda o problema, não de quem acordou irritado e ligou a câmera. Essa diferença transmite seriedade e preparo.

3. Suas causas principais: em que bandeiras você aposta

O eleitorado não guarda dez temas por candidato. Se você não definir suas causas centrais, alguém vai definir por você. Tenha conteúdos explicando, com clareza, quais são suas 2 ou 3 principais bandeiras e por que elas são importantes.

Aqui entram vídeos, cards e textos respondendo perguntas como: “Qual é a principal mudança que você quer ajudar a construir?”. É esse conteúdo que, mais tarde, vira slogan, fala em debate, discurso em reunião e proposta de programa de governo ou mandato.

4. Conteúdos de autoridade: mostre que você entende do assunto

Não basta levantar a bandeira, é preciso mostrar que você tem condições de defendê-la. Os conteúdos de autoridade são aqueles em que você explica temas complexos de forma simples: comenta uma lei, analisa um problema recorrente, mostra experiências bem-sucedidas.

Pense em quadros fixos, como “Toda quarta eu explico um direito” ou “Série: como funciona a saúde na nossa cidade”. Para a metodologia de sensibilização, esse tipo de conteúdo ajuda a transformar desconhecidos em pessoas que passam a enxergar você como referência.

5. Bastidores reais: rotina do pré-candidato em campo

Muita gente acha que bastidor é só foto posada em reunião. Não é. Bastidor bom é aquele que mostra processo: você estudando um tema, visitando uma unidade de saúde, conversando com lideranças, participando de encontros, organizando a equipe.

Esses conteúdos geram proximidade, deixam claro que existe trabalho acontecendo e alimentam a etapa de motivação na jornada do eleitor: as pessoas começam a perceber que você é alguém disponível, presente e disposto a ouvir.

6. Depoimentos e validações: quem coloca o rosto por você

Você falando bem de você mesmo tem um limite. Em algum momento, as pessoas querem saber quem confia em você a ponto de aparecer em vídeo ou em foto. Depoimentos curtos de moradores, lideranças comunitárias, profissionais da área em que você atua ajudam muito.

Não precisa ser produção de cinema. Um vídeo gravado com o celular, com boa iluminação e som razoável, já cumpre o papel de mostrar que há uma rede de apoio em construção, algo essencial para chegar à fase de mobilização.

7. Conteúdos de serviço: ajude antes de pedir voto

Pré-campanha não é só falar de você. É o momento de entregar valor para as pessoas. Conteúdos de serviço são aqueles em que você orienta sobre programas públicos, prazos, documentos, direitos ou oportunidades relevantes para o seu território.

Um exemplo simples: calendário de vacinação, prazo para inscrição em cursos, esclarecimento sobre um benefício social. Quando o pré-candidato vira referência de utilidade, aumenta muito sua chance de ser lembrado positivamente na campanha.

8. Conteúdos de participação: convites e escuta ativa

Muita pré-campanha é feita como se fosse um telejornal: o pré-candidato fala e as pessoas apenas assistem. Conteúdos de participação convidam o público a opinar, responder perguntas, preencher formulários, enviar sugestões.

Você pode fazer enquetes, formular perguntas abertas, disponibilizar um formulário simples para ouvir demandas por bairro. Além de gerar engajamento, esse material produz base de dados para programar a campanha e qualificar propostas.

9. Conteúdos institucionais: regras, limites e transparência

Outro ponto obrigatório é explicar para as pessoas o que pode e o que não pode na pré-campanha e na campanha. Isso mostra respeito às regras eleitorais e ajuda a criar um ambiente mais transparente ao redor da sua pré-candidatura.

Aqui entram conteúdos sobre o que é pré-campanha, como funcionam as doações permitidas, por que você ainda não pode pedir voto de forma direta, entre outros temas. Esse tipo de conteúdo reduz desconfianças e evita expectativas irreais.

10. Chamadas para construção de rede: apoie, compartilhe, participe

Não adianta produzir bons conteúdos se eles não levam a uma ação. Crie conteúdos específicos para convidar pessoas a entrar na sua lista de transmissão, grupo de voluntários, reuniões temáticas ou eventos presenciais.

Essas chamadas podem ser periódicas, sempre lembrando caminhos claros: link para cadastro, número da lista de transmissão, formulário de voluntariado. É assim que o pré-candidato sai do campo da simpatia genérica e começa a organizar de fato sua base.

Como organizar esses 10 conteúdos na prática

Você não precisa publicar tudo em uma semana. Uma forma simples é montar um calendário mínimo de pré-campanha, prevendo, por exemplo, duas postagens por dia, alternando apresentação, causas, autoridade, bastidores e serviço, e reservando um dia na semana para chamadas de participação e rede.

Se você é profissional de comunicação ou dono de agência, pode transformar esses 10 conteúdos em roteiro padrão para seus clientes, adaptando linguagem, formatos e exemplos conforme o território e o cargo em disputa.

Resumo final e próximos passos

Para recapitular, os 10 conteúdos obrigatórios são:

Se você organizar minimamente esses conteúdos, já estará alguns passos à frente da maioria dos pré-candidatos, que ainda tratam a pré-campanha como um período de improviso. Use este roteiro como checklist para sua equipe.

Se quiser se aprofundar em planejamento de pré-campanha, jornada do eleitor e estratégias de comunicação política, recomendo conhecer a Imersão Eleições, curso da Academia Vitorino e Mendonça voltado para profissionais, equipes e candidatos que querem chegar à eleição com método, e não apenas com boa vontade.

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